quarta-feira, 29 de junho de 2011

por dentro e por fora


Eu e você, você e eu, quatro pessoas. Eu sempre igual e você do mesmo jeito.
Dias atrás, hoje, tanto faz, me pego ensaiando diálogos que até hoje não aconteceram. Sento na minha cama, escolho o bichinho de pelúcia que eu mais gosto - provavelmente aquele que você me deu - e começo. Lembro de quando você me entregou e junto eu ganhei um abraço e um feliz aniversário, lembro também de quantas vezes já o joguei no chão e pisei em cima.
Rara são as vezes que combinamos algo junto, mas sempre quando saímos nos encontramos, e você fica do meu lado a noite toda, conversando comigo, amedrontando todos os outros pois eles acham que eu sou qualquer coisa sua, e sempre quando perguntam para você ou pra mim o que sempre sai é: amigos.
Oi amigo.
Alguns falam que da pra ver de longe que não é só isso, mas é só isso.
Por você e por mim é só isso.
A coragem passa longe de nós dois, o medo de dar certo também.
Já perdi as contas que quantas vezes peguei você olhando nos meu olhos, de quantas vezes você fechou a cara quando eu sai com alguém. O modo como você fica estranho quando eu comento que minha noite foi ótima mesmo você não estando nela.
Sei que eu devia ter coragem também, mas eu já cansei de ser a primeira jogar e sempre perder. Arrisco-me todos os dias, sim, a cada dia que passa corro o risco de não ter você.
Somos como o medo e a força. O medo é uma perturbação resultante da ideia de um perigo, receio de causar algum mal e a força determina o estado de um corpo, o resultado de uma ação. Eu sei onde estamos, sabemos o perigo que corremos se dermos mais um passo, uma nova ação.
Mas eu não quero ser a única a fazer isso e perder.
O medo que temos de amar é o medo de estar perto demais.
A força de amar é a força que nos permite olhar nos olhos, não para procurando algo e sim para confirmar aquilo que deseja.
Eu curei minhas feridas, estou pronta para uma nova proposta, pronta para correr qualquer risco, eu só preciso disso, vem comigo?

contorno




Está sobre a minha pele, tudo resolveu transparecer de um dia para o outro. Nada de anormal, apenas alguns sentimentos que eu guardava lá no fundo pronto para serem excluídos, decidiram por conta própria passar por cima e ficar expostos para quem me olhar ter a chance de decifrá-los.
Mas felizmente eu aprendi a escondê-los.
Às vezes eu até esqueço-me da existência deles, eu vivo com a mesma rotina mas uma luz estranha decidiu me acompanhar, ela tem uma cor puxada pro azul bebê, eu não tenho mais medo do escuro e ficar sozinha significa apreciar a incrível e misteriosa luz.
Com o tempo passando, ela não era só uma luz que ficava do meu lado, com o tempo ela foi ganhando a forma do meu corpo, ou melhor, contornando-o. Alguns dias ela brilhava mais e mais, em outros era uma camada fina que pouco aparecia, mas eu sabia que ela estava lá, até hoje ela continua aqui. Eu não sei pra que, mas comecei a reparar que poucas pessoas têm seu corpo contornado pela luz.
E ela ajuda, quando você menos espera, quando te falta coragem, quando você tem vergonha, você leva as mãos ao rosto e ao fazer isso percebe aquele brilho que não sai de você. Por as vezes você só precisar de alguém que te apoiei, você limpa suas mãos e a luz continua lá, olhando pra você e dizendo ‘eu não vou embora, aconteça o que acontecer, bom ou ruim, certo ou errado, quando você fechar os olhos, tudo será igual’. Ela fala, mesmo não falando, ela te olha mesmo não olhando, ela te da força por simplesmente brilhar, por simplesmente te iluminar.
Às vezes uma luz no lugar certo revela em você mesmo, detalhes seus que até hoje você não viu.