Tem coisas que não se definem. Saudade, por exemplo, é uma daquelas coisinhas irritantes que aparece sem dar satisfações, sem pedir licença pra entrar. Eu não entendo e acho que nunca vou conseguir. É inútil. Vem com uma sutileza de marola e me derruba com a força de um tsunami. Não tem como fugir, porque não importa onde você esteja, a bendita lhe persegue até nos seus esconderijos mais obscuros.
Escutando uma daquelas velhas canções esquecidas no fundo do baú lembrei de uma amiga. Não qualquer amiga, e sim, aquela que nos momentos mais indecisos e loucos esteve comigo. É estranho, mas senti aquela dorzinha no coração. Saudade. Há tempos que não nos falávamos, que nem sequer trocávamos qualquer tipo de sinal. Então, ela apareceu. E deu mais vontade de sair correndo da saudade, porque mesmo um torpedo não ameniza aquela coisa maluca.
Não resisti, os meus olhos marejaram e chorei. Sabe aquele pranto que desaba sem você ter controle? Olhar pra trás e ver as mudanças, tudo o que aconteceu, consegue me deixar no meio de uma confusão absurda. Tento engolir, fechar as portas da sensibilidade, porém chega uma hora que o silêncio não sustenta, que o coração despenca.
Talvez as coisas funcionem assim mesmo. A vida dá voltas, pessoas vem e vão. Não faz sentido, contudo, é assim. A saudade é mais um dos percalços de um longo caminho. Às vezes é bom, outras péssimo. Entretanto, sendo sincera, sentir saudades é aquele tipo de coisa ruim que no fundo não vivemos sem. É aquele gostinho amargo com um toque doce - um pouco irresistível, digamos.
Não sei qual seria o ponto final certo para esse texto. Só posso dizer que é mais um bando de palavras ambulantes encruzilhadas em um desabafo contido. Enfim, saudade. Dos momentos, das pessoas e do que ainda não vivi.

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